O PRIMEIRO DIA DE SOFIA

Todo mundo tem o seu primeiro dia. No sábado, voltei à infância. E vi no futebol da criançada da Agronômica, um fato incomum: reunião de garotos jogando futebol. Na minha época era normal. Aliás, obrigação. Mas o mais legal de tudo é que fui a um lugar onde eu jogava. E coincidentemente, no sábado pela manhã. O campo, o do abrigo de menores, hoje, ao lado do Cestão do Povo.
Mas o fato marcante foi a estréia de Sofia. Uma menina de família carente que vê no futebol a fórmula da felicidade. Mas como ser a única, entre tantos garotos? É simples, basta chegar com um uniforme, pode ser o do clube do coração, e correr atrás da bola. E foi assim que a menina de 7 anos chegou acompanhada da mãe e logo conheceu o caminho do gol.
Um trabalho que não é fácil. Motivar as crianças através do futebol. Não somente cabe ensiná-las a jogar. Mas sim, repassar a elas um pouco de caráter e educação. Uma atividade árdua, sem recursos, entretanto, excessiva no quesito vontade de ajudar. De instruir. De persuadir. De vencer.
Estou falando do trabalho do professor Hélio que há 21 anos ensina a gurizada a jogar futebol. São crianças que moram nas comunidades do Maciço do Morro da Cruz e tem ali uma chance de se projetar. Na minha infância, participei desse trabalho. Mas por questão de oportunidade melhor, apostei nos estudos. E muitos desses garotos terão, como única alternativa de sobrevivência, o futebol, diferente de mim. Mesmo assim, estão participando do processo de inclusão social. Isso já é válido, pois ver a juventude na rua, jogando bola, esquecendo um pouco a máquina, o computador, não tem preço. Tem sim, valor humano.

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