A VIAGEM QUE DUROU 36 HORAS

Amigos,


Era domingo. Sol forte. Temperatura elevadíssima. Uma praia era o ideal. Pós-carnaval, balneários vazios. Mas a paixão pelo futebol leva o torcedor a mais uma jornada. Destino: Brusque, 100 km de Florianópolis. Claro, pelo valioso caminho via São João Batista. Na estrada, muito verde e poucos carros circulando. Sinônimo de paz e tranquilidade. A vontade era de ir por Nova Trento para degustar a gastronomia italiana. Leia-se massas e os famosos queijos e salames. Mas como Brusque detém um prato especial, regado a marreco recheado, a opção seria essa. Por desconhecer o local apropriado, a opção foi uma churrascaria próxima ao palco do espetáculo. Resumidamente, comeu-se bem. Óbvio, picanha no prato. Pois bem...

A bilheteria fechada às 14h preocupou. O calor explodia. E ansiedade mais ainda. A saída foi comprar o ingresso na parte da torcida adversária. O interessante foi que lá custava R$15,00, cinco a menos sobre o valor repassado pela imprensa.

Exatamente às 15h abrem-se os portões. Cada um busca o melhor espaço na arquibanacada. Sol forte, temperatura acima dos 30 graus. A sensação térmica superava a marca dos 35. A solução, se enconder à sombra formada pelo singelo poste de iluminação. E água, muita água. Sentar, nem pensar. Ardia, queimava, constrangia. De repente, surgem nuvens no horizonte. Nos lados, nas encruzilhadas. Veio à cabeça a enxurrada do dia 31 de janeiro. Mas apenas pessimismo. Os "brusquenses" ou "brusqueanos", iam chegando. Ofendendo, subestimando e gozando. Cantaram até uma música alusiva à conquista do Catarinão 1992. Evidenciando Cláudio Freitas.

Voltando ao assunto, desabou o mundo. Chuva grossa. Pedras e mais pedras de granizo. Quanto antagonismo. A sensação de Saara e meia hora depois de Antártida. A capa de chuva elevou a temperatura do corpo, amenizando o sofrimento com o frio.

Mas enfim, bola que é bom nada!!!! Chuva, chuva, chuva. A autoridade máxima do jogo, o árbitro, tentou por duas vezes esperar a trégua de São Pedro. Não teve jeito. Um rio de lama se formou nas arquibancadas e o campo virou piscina. Em certos momentos, pânico. Estrada molhada para a volta. Tumulto à vista. Mas no fim, tudo deu certo.

SEGUNDA-FEIRA , A SEMANA COMEÇA

A pergunta vem à mente: Ir novamente ou desistir? Às 17h toca o telefone móvel. Convite irrecusável. A paixão prepondera. Não adianta. A estrada repete o estado. Boa. A preocupação maior estava na entrada, pois decretou-se portões abertos. Chega-se cedo e ingressa-se de forma tranquila. Mas em Brusque, todos queriam ver o insucesso do Avaí. A cidade parou. Gente por todos lados. Na marquise, nas sociais, no alambrado, nos muros, enfim, onde fosse possível. Quando os portões se fecharam a saída foi derrubá-los. E conseguiram.

A torcida azurra lotou o espaço reservado e ainda avançou. Eram, ao meu ver, 1,5 mil vozes. Uma festa bonita. Mas quando o jogo começou, o nervosismo veio junto. Ansiedade. Engasgo. O primeiro tempo termina em zero a zero com duas chances claras de Válber e Marquinhos. Não deu.

No segundo tempo, vem a dificuldade. O Brusque cresce, cria e quase marca. São Martini salva. Já passam de 34 horas de viagem e nada de gol. De grito, de emoção. Não é que o Vandinho resolveu acordar? Pois é. Às 22h20 minutos, 41 do segundo tempo, ele completou o cruzamento do zagueiro Rafael. Festa! Gol! Alegria! Choro! Emoção! Não sei mais o que expressa esse sentimento de vitória.

A Avenida Beira-Rio,que ficou tomada pela água barrenta da chuva no domingo, se transformou em um mar azul após o término do jogo. Que euforia. Que festa. E assimfoi por toda a viagem de volta. Por Blumenau, por Ilhota, por São João Batista. De van, de carro, de ônibus, de moto, de qualquer forma.

Só para tirar a dúvida do leitor, as 36 horas de viagem terminaram à meia-noite de terça-feira.

A pedidos encerro a crônica com a seguinte frase:

"E NINGUÉ CALA...ESSE NOSSO AMOR"

13 comentários:

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  2. Blog democrático esse não! A brincadeira e a provocação fazem parte do futebol. Se o blog não aceita... Que fale de artes, esoterismo ...

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  3. Interessante que o senhor esconde a identidade e acha que está com a razão.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Vandrei, os caras estão com dor de cotovelo, pois o time deles não tem um blog como esse e o do tullo para falar dos nojeiras, uma baita cronica, pq eu estava lá nos 2 dias e presenciei isso tudo, parabéns
    Sérgio(repolho)

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  6. Vandrei..

    Não sabia do teu espaço!! o neto passo pra mim!! cara parabéns pelo texto muitos detalhes do nosso sofrimento, pra mim a chuva foi tanta que não tive coragem de voltar, mas com a certeza que estaria muito bem representado por você e pela massa avaiana.

    abração cara!!!

    Bukão

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  7. SÓ FICO IMAGINANDO O TEU BLOG SE UM DIA VOCÊS JOGAREM EM GRANDES PALCOS COMO MARACANÃ, MORUMBI, MINEIRÃO, OLÍMPICO, KIOCERA ARENA, ETC ETC ETC.....
    ENQUANTO EU IMAGINO COMO SERIA, VOCÊS (TODOS OS INTEGRANTES DA COMITIVA DE SEGUNDA-FEIRA) TAMBÉM PODEM SONHAR, AFINAL DE CONTAS, "SONHAR NÃO CUSTA NADA", JÁ DIRIA A LETRA DO SAMBA ENREDO DA MOCIDADE DE 1992, COMPOSTO POR PAULINHO MOCIDADE, DICO DA VIOLA E MOLEQUE SILVEIRA.

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  8. excelente cronica Vandrei. Relatos, emoções, informaçÕes e até denúncia(venda de ingressos com valores diferentes). Parabéns!

    Saudações Avaianas,
    Guto Atherino

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  9. Parabéns pela crônica amigo! Que as emoções continuem hoje a noite em plena Ressacada... a torcida azurra merece. Segue firme nessa tua cruzada de informações, sentimentos e opiniões, tais no caminha certo!
    Forte abraço,
    Dabexiga!

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  10. parabens Bion, ficou muito legal a crônica.
    quanto aos alvinegro-e-verde-letrado.. paciência.. o Avaí tá voltando a incomodar e dessa vez não vai ter piedade!
    estamos há 10 anos sem títulos, nada se comparado aos 26 que o brocolense ficou!
    futebol é assim mesmo, mas tenho certeza que dentro de poucos anos a situação será inversa! aí quero ver como ficarão esses tricolores do estreito!
    abraço bion!

    Diego Canhetti

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  11. Amigos,

    Obrigado pelo apoio. Todos sabem que sou avaiano, nunca neguei. Mas independente de paixão clubística, a idéia foi escrever uma crônica sobre o acontecimento. É claro, sem literatura não dava. Mas tem gente que não sabe separar a paixão do respeito. A rivalidade faz parte, mas com ponderação.

    Um abraço, de coração, aos queme conhecem e realmente sabem da minha índole.

    Vandrei Bion

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  12. Grande Vandrei , nosso rei das frisas do rio de janeiro!
    Amigo show de bola o texto , ficou muito massa mesmo , nem te esquenta com o quem vem do lado de lá , eles querem é ibope mais nada , não tem blog do lado de lá ou tem?? Então eles vem aqui aparecer por que do lado de lá só tem pancadaria ( coitado do Phylon do Zoreba) esses ai apanharam já!
    Parabens pela iniciativa!
    Abraços do parceiro de viagem Lacau!

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  13. Prabéns Vandrei, não de ouvidos a turma do lado de lá.
    Gostei !!!

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